Mais de duas décadas após um crime que abalou São Paulo, o empresário Sérgio Nahas, de 61 anos, foi preso no litoral da Bahia. Condenado pela morte da esposa, Fernanda Orfali, ocorrida em 2002, ele foi localizado em Praia do Forte após ser identificado por câmeras com reconhecimento facial em uma área turística.
A prisão aconteceu no sábado, dia 17, em um condomínio de alto padrão, e foi feita pela Polícia Militar. Havia um mandado de prisão definitivo expedido pela Justiça paulista, já sem possibilidade de novos recursos. Depois da detenção, Nahas foi levado à delegacia da região, apresentado à Polinter e passou por audiência de custódia. Ele deverá cumprir a pena no sistema prisional de São Paulo.
Durante a abordagem, os policiais apreenderam 13 pinos de cocaína, três celulares e um veículo Audi. Segundo a PM, não houve resistência no momento da prisão.
O caso se arrastou por anos nos tribunais. Em 2018, 16 anos após o crime, Nahas foi julgado pelo Tribunal do Júri e condenado por homicídio simples. A pena inicial, de sete anos em regime semiaberto, foi ampliada após recurso do Ministério Público para 8 anos e 2 meses, em regime fechado. A decisão foi confirmada pelo STJ e pelo STF, encerrando o processo.
O assassinato ocorreu no apartamento onde o casal morava, no bairro de Higienópolis, na capital paulista. Fernanda Orfali tinha 28 anos e morreu após ser atingida por um disparo no peito. A arma usada era do empresário e não possuía registro. A versão apresentada por ele na época não foi aceita pela investigação, que concluiu tratar-se de homicídio com intenção de matar.
Mesmo condenado, Nahas permaneceu em liberdade por mais de 20 anos. Em junho de 2025, a Justiça determinou a expedição do mandado de prisão e incluiu o nome dele na lista da Interpol, diante da suspeita de que estivesse fora do país.
Ao jornal Estadão, a defesa afirmou que o empresário vive na Bahia desde o ano passado, enfrenta problemas de saúde e não tentou se esconder. Já o irmão da vítima, Julio Orfali, disse que a prisão representa um desfecho tardio, mas necessário. Segundo ele, a espera foi longa e dolorosa, marcada pela sensação de impunidade e por uma ferida que nunca se fecha para a família.
As informações são do *Correio
