quinta-feira, 12 de março de 2020

Coronavírus: qual o tipo de álcool recomendado para higienizar as mãos?


Álcool gel 70% vendido em farmácias é o recomendado. Lavar as mãos com água e sabão ainda é a principal alternativa para a prevenção do coronavírus.


Manter as mãos limpas é uma das principais estratégias de prevenção contra o coronavírus. Além da opção prioritária pela água e sabão, outra opção é o uso do álcool gel. Entretanto, a recomendação é para que ele seja usado somente na concentração de 70%.


"Seja água e sabão ou álcool gel 70%, ambas formas de higienização tem a mesma eficácia", diz Leonardo Weissmann, médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Weissmann resssalta que o indicado é o álcool 70%, por ele ter ação antimicrobiana.
Sobre o percentual de concentração do álcool, Weissmann afirma que os estudos mostram que o álcool 70% é o ideal para alcançar ação antimicrobiana, contra bactérias, fungos e vírus. "O álcool 96% apenas resseca a parte externa do vírus, além de ressecar as mãos", explica.

O médico também ressaltou que a produção caseira de álcool gel pode trazer riscos. "O álcool gel a 70% vendido em farmácia segue regras específicas de formulação, reguladas pela Anvisa. As receitas caseiras podem não ter a concentração ideal de álcool e não atingir o objetivo", afirma.

Jean Gorinchteyn, infectologista do Instituto Emílio Ribas, lembra que o coronavírus tem uma cápsula que é facilmente rompida, por isso, o uso do álcool gel e a higienização das mãos com água e o sabão são eficientes para o eliminar. O infectologista não recomenda o uso de outros produtos na pele, por estes poderem trazer outros problema, como uma irritação na pele.

Conselho Federal de Química

O Conselho Federal de Química (CFQ) explicou ao G1 que o valor de mistura do álcool presente na embalagem dos produtos indica a quantidade de álcool presente na solução.

Um produto 70 °INPM, contém 70 g de álcool para cada 100 g da solução. Já um produto 70 °GL, contém 70 ml de álcool para cada 100 ml da solução. Assim, quanto maior a graduação, maior a quantidade percentual de álcool.

Quanto aos possíveis produtos que poderiam substituir o etanol, o CFQ reforça que, neste momento, a população deve seguir as orientações das autoridades de saúde - que indicam lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel quando não for possível higienizá-las em uma torneira.

O CFQ não recomenda qualquer tipo de receita caseira. "Aqueles que não são profissionais e não tem pleno conhecimento dos potenciais riscos envolvidos, não recomendamos realizar receitas caseiras. É importante observar que muitos acidentes ocorrem justamente em situações de experimentação caseira", conclui.

Depois de que vídeos foram partilhados pelas redes sociais com informações erradas sobre a eficiência do álcool gel, o Conselho Federal de Química (CFQ) também lançou uma nota afirmando que a substância é um eficiente desinfetante de superfícies, de objetos e da pele.

"Para este propósito, o grau alcoólico recomendado é 70% v/v, condição que propicia a desnaturação de proteínas e de estruturas lipídicas da membrana celular, e a consequente destruição do microrganismo" - trecho da nota do CFQ

O CFQ afirmou ainda que o etanol age rapidamente sobre bactérias vegetativas, vírus e fungos. "A higienização com o álcool é equivalente e até superior à lavagem de mãos com sabão comum ", afirma o conselho.

Sociedade Brasileira de Infectologia

A Sociedade Brasileira de Infectologia divulgou nota reafirmando a importância do álcool gel para o combate a bactérias, fungos e vírus.

"Segundo estudos científicos e recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), é inegável a importância do álcool gel na higienização das mãos, devido à sua ação antimicrobiana, contra bactérias, fungos e vírus, inclusive contra o novo coronavírus. Ao contrário do que se afirma no vídeo, está comprovado que o álcool na concentração ideal de 70% é eficaz na antissepsia das mãos (sob a forma de gel) e na desinfecção de superfícies contaminadas" - trecho da nota divulgada

A organização afirmou ainda que não há evidências cientificas sobre a eficiência do vinagre como agente de higienização.

Fonte: G1



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